recusado.
o bebê chora quando nasce,
dói para respirar.
um belo presente,
não solicitado.
a infância é a melhor fantasia
do carnaval da existência.
banhada pela esperança,
pelos porquês com respostas.
o colo da mãe,
o medo irracional
a vontade de brincar,
o éter em ser.
rugas e oxigênio,
a vida cobra.
o preço de viver,
é morrer no final.
o irracional se torna palpável,
não há mais afago.
o tempo de ser bebê já passou,
respirar não pode doer.
raça humana
tão convicta e superior.
os porquês que persistem
não deixam soluções.
seria a divindade de questionar
também a maldição?
no gene, o fruto que nasce
é feito pra cair.
afinal,
quem nos salva de nós mesmos?
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